sexta-feira, 4 de abril de 2014

A carta que não foi enviada

Amor meu,
lembro das tuas mãos em meus pés,
do cheiro de nicotina e suor,
da cor da sua pele e boca.
Lembranças de tardes ao lado seu,
que agora arrancam de mim a sanidade.
Eu queria poder destruir
cada fotografia mental criada
e descartar cada palavra mentirosa lançada.
Querido,
você ainda existe em mim.
Aquele xadrez lindo que você usava fui eu quem escolhi.
As influências que você largou no meu peito
agora apertam tão forte
que minhas lágrimas esguicham sua memória.

Sua mulher.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Tédio

Desejo vazio,
sem graça
de fazer o que tiver
e desvontade máxima
de viver.
Dúvida constante
da onde ir,
de quem falar,
do que escrever,
falta de entretenimento,
repetidas vezes zero,
amigos sem graça,
livros já lidos e relidos,
papel escrito e jogado fora,
sem extremo de nada,
vontade louca que dá e passa,
que vai e volta,
que espanca e amortece,
apenas sente e amorna,
do que esperar,
do que se sabe e se espera,
da vida que acontece
sem ao menos fazer ruído.
É a espera insana de algo que nunca irá ser
ou se fazer estar.
Eis que para o nada retorna, ao mínimo
ato de consolidar,
a vontade morta.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Precipitação

Saia,
todos os direitos reservados ao dono(a) da imagem.
feche a porta,
dê - me nome,
limpa o rosto,
segue tonto,
mas siga.
Não determine,
não precisa.


Volte,
abra a porta,
não me diga,
não me tente.
Suje o rosto com batom,
segue amando,
determinado.

Sal nos olhos,
descendo, 
cometa,
sol, 
estrela,
Lembranças,
no mar ,agitando-se
pronta para engoli-lo.
Afunda teus olhos na água,
Vê!

Ainda amo você.

Agora, 
Vá!


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Abraça-me, solidão.

Só retorno aqui quando meu nível de aprofundamento sobre minha vida está lotado de informações e indagações.
Estou retornando a essa casa, não tão sombria quanto antes, mas cheia de desesperanças e esperança para com a frieza do amadurecimento pessoal e emocional, cheia de dores por dentro e que nenhum antidepressivo pode resolver, apenas as palavras ditas com confiança para eu mesma, jogada novamente neste lugar, onde deixei pensamentos antigos que fizeram de mim, leal a quem eu amava e fiel ao que eu achava certo.Tanto tempo se passou e por onde você estava inspiração?Esperou, certamente, que eu desejasse novamente estar aqui. Percebeu que meu desespero de ter voz em algum lugar neste mundo de falsidade quisesse ser verdade para ouvidos sinceros (ou até mesmo os mentirosos). Esperou que me afundasse novamente no buraco da solidão fatídica e silenciosa. Aqui retorno solidão, você que me convida novamente à introspecção, aqui retorno.
Deixo meu nome contigo, gravado em teu coração.
Mais uma temporada em teu lago profundo e sem fim.
Abraço-te, solidão.
Abraça-me...