sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Transmutação


Estava perdido.

Meus medos gritavam.

Perturbavam- me.

Porém, quando me achei cessaram-se os gritos.

Não estava mais fora,

Estava dentro de mim.

Aquele que não deixava ser, por ter medo de não tentar, deixei ir.

Aquele que prendi sob aspectos de um sentimento antigo,

Deixei ir.

Estava na sala sentada.

Deus estava a minha frente

Falava-me sobre o sol e a lua.

Antes ele ficava a porta,

Batia todos os dias esperando que eu abrisse.

Até o dia que resolvi perceber quem batia.

Até lá não entendia as palavras, não escutava.

Achei que sabia de tudo,

Até perceber que não sabia absolutamente nada sobre nada

Aprendi a viver,

Não há mais medo no coração.

Não há mais angústia

Não há sofrimento.

Há apenas oportunidades para crescimento.

Não há amor débil.

Há amor que se entende apenas pelo amor, não pela face do alheio.

Estava livre, por fim,

Sentia-me feliz.

Estava em paz.

Transmutei-me.


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sua incerteza

Você me deu toda a incerteza
Que eu precisava para entender todo o meu mundo.
Deu-me suores plásticos,
Sorrisos amarelos,
Sofridas vozes,
Interruptas dores.
Sua incerteza manchou meu cotidiano
Deplorou-me.
Fez-me suja como lixo.
I-m-p-u-r-a.
O alcance de tuas palavras deixou-me surda.
O contato contigo fez de mim burra, tonta, sonsa...
E pela primeira vez em anos de existência,
pude finalmente compreender o que é mais importante.
A sua incerteza trouxe-me certezas,
nestas irei me debruçar.
Aprendi a viver pelas incertezas,
para poder viver pelas certezas
Quando eu precisar andar só por caminhos agrestes,
usarei da certeza que você fez crescer em mim.
E mesmo que vago em minha memória,
sua face irá permanecer,
como um retrato esquecido na sala.
Lembrarei de você rapidamente.
Darei um sorriso singelo,
Recordando-me no tempo em que “minhas mãos foram suas com calma”.
Obrigada.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Enamorados



Ao meu amante,

Amigo,

Filho;

Pai;

Irmão;


Tudo que me pede, eu faço.

Se quiseres que eu vá,

Peça-me que irei sem pensar.

Só não peça para deixar-me,

Esquecer-me de mim.

Eu não poderia te dar felicidade se não a ofereço a mim.

Confio em mim antes de ti, meu amor.

Dou-te minha confiança e a esperança que tu sejas maior do que eu.

Deixo-te livre para voar,

Descobrir suas limitações e encontrar-se contigo.

Ali estarei eu,

ao teu lado buscando também eu mesma.

Teu espaço será da forma que imaginar,

Meu espaço ao teu lado é respeitar o seu.

Fico do teu lado calada quando vejo que precisas de ouvido.

Beijo-te apaixonada quando seus lábios encontram o meu.

E caso um dia você decida ir,

Ficarei grata pelo tempo que passei e pelos sacrifícios feitos por você.

Pois tanto em você quanto em mim confio, para saber,

que este dia nunca chegará...



domingo, 16 de novembro de 2008

Refúgio Interior

Ela sempre acreditou que fosse assim,
depois de longas trevas a luz se instauraria.
Ou que mesmo só,
Haveria alguém para salvá-la.
Conhecida entre seus amigos como: sonhadora.
Era assim, de fato, sonhadora.
Não gostava de acreditar que não havia contos de fadas,
Nem que o mundo poderia ser cruel com ela.
No seu mundo tudo era colorido, todo mundo era feliz.
Os amantes se amavam e viviam felizes para sempre.
Ela cresceu.
O mundo era grande quando pequena,
Quando maior tudo era minúsculo.
Viveu sua vida na simplicidade.
Deu-se ao luxo de ter amantes, amigos, gatos, livros, CDs, DVDs e tudo que poderia ter.
Ah! Como era infeliz!
Nenhum deles era verdadeiro com ela,
Nem a música era verdadeira,
Nem seus animais de estimação.
Como era infeliz, tudo a sua volta era infeliz.
Resolveu abrir mão de tudo,
Seja de contato social, seja dos seus animais de estimação.
(Está bem, ela não se livrou dos gatos.)
Não tendo nada não perderia nada, assim pensou ela.
Porém os dias passaram, meses, anos.
E ela continuava lá no velho quarto, deitada nos lençóis mofados.
Seus dois gatos haviam morrido.
Ela não tinha televisão, não tinha rádio.
Usava as mesmas roupas que sempre teve
E vivia na mesma casa de sempre.
Resolveu então sair.
Quando viu o mundo, pensou que preferia ficar no seu quarto a ter que ver novamente como este mundo era cruel.
Enfim, anos se passaram.
E ela ainda estava lá, no mesmo quarto, com as mesmas roupas,
Refugiando-se do mundo.